Notícias » O sério problema da má gestão das obras públicas

Atrasos acarretam aumento dos custos e mostram a necessidade de uma mudança de política.

Usina hidrelétrica sem linha de transmissão, reservatórios com nível inferior ao desejável, ferrovias que conduzem a um porto ainda inexistente esta é a imagem mais comum das obras da infraestrutura brasileira. São atrasos que acarretam aumento dos custos e mostram a necessidade de uma mudança de política.
 
É evidente que uma usina que produza energia elétrica terá um custo mais alto para os consumidores se, ao funcionar, essa energia não puder ser faturada, principalmente enquanto o empreendimento tiver de pagar juros do financiamento sem dispor das receitas que havia previsto. As perdas podem ser ainda maiores se as fábricas que contavam com o for-necimento da energia não puderem fazer funcionar seus equipamentos.
 
Uma usina hidrelétrica com reservatório pequeno demais, por não obter licença para inundar a área desejável, fica sujeita a sofrer mais do que a que dispõe de um reservatório adequado num ano de seca e pode ser condenada a suspender sua produção, com perdas para si própria, para as empresas de transporte e distribuição de energia e até para as fábricas que tenham de fuxicionar muito abaixo da sua capacidade de produção, recorrendo a uma energia mais cara produzida por termoelétricas que existam na região.

O jornal Valor trouxe um artigo mostrando que uma ferrovia de 1.ooo km para transportar mercadorias estará pronta pelo menos dois anos antes do que o porto em Ilhéus que demandou a ferrovia. As obras do porto estão apenas iniciadas e estarão disponíveis dois ou três anos depois da conclusão da ferrovia.
 
São alguns exemplos das obras na infraestrutura no Brasil que podemos generalizar e certamente têm a maior respnsabilidade no custo Brasil, ao mesmo tempo que representam um fator de inibição de maiores projetos. É uma situação que mostra a necessidade de melhor planejamento das obras públicas e, em alguns casos, a necessidade de um organismo responsável por projetos interligados, com poderes para intervir no andamento de obras interdependentes, verificando se o cronograma está sendo respeitado e segue um ritmo adequado.
 
O atraso nos investimentos públicos, que multiplicam seus custos, resulta de uma péssima administração dos projetos e também do fato de eles serem, na maioria dos casos, financiados por organismos internacionais ou regionais.
 
Dando soluções a esses problemas, o Brasil ganharia pontos para a retomada do crescimento.

Fonte: O Estado de São Paulo